Ex-presidente da Alerj, hoje secretário no governo federal, petista de perfil moderado ganha força nos bastidores como nome de consenso para o futuro do Rio.

Poucos políticos no estado do Rio de Janeiro conseguiram atravessar crises, sobreviver a terremotos institucionais e, ainda assim, sair maiores do que entraram. André Ceciliano (PT)

Ex-presidente da Alerj, hoje secretário no governo federal, petista de perfil moderado ganha força nos bastidores como nome de consenso para o futuro do Rio.
​​​​​​​André Ceciliano (PT) é um desses raros casos. Ex-deputado estadual, ex-presidente da Alerj por dois biênios consecutivos e hoje secretário de Assuntos Parlamentares do Governo Federa - Foto: Reprodução

O “Tancredo Neves do momento”: André Ceciliano, o articulador que une forças e volta ao centro do jogo político

RIO DE JANEIRO — Poucos políticos no estado do Rio de Janeiro conseguiram atravessar crises, sobreviver a terremotos institucionais e, ainda assim, sair maiores do que entraram. André Ceciliano (PT) é um desses raros casos. Ex-deputado estadual, ex-presidente da Alerj por dois biênios consecutivos e hoje secretário de Assuntos Parlamentares do Governo Federal, Ceciliano vive um momento de reposicionamento estratégico que o coloca novamente no centro do tabuleiro político fluminense.

Ele assumiu a presidência da Alerj em 2017, em um dos períodos mais turbulentos da história do parlamento estadual. O Rio vinha do colapso financeiro do governo Pezão, da prisão de Luiz Fernando Pezão, do escândalo que levou Jorge Picciani (in memoriam) e Paulo Melo à cadeia, e de uma Assembleia completamente desmoralizada perante a opinião pública. Foi nesse ambiente hostil, de terra arrasada, que Ceciliano assumiu a missão de reorganizar a Casa.

Com habilidade, discrição e capacidade de diálogo, conseguiu estabilizar a Alerj, recuperar pontes institucionais e devolver protagonismo político ao parlamento. Em 2018, venceu a eleição interna e iniciou o primeiro biênio como presidente (2019–2020). Em seguida, foi reeleito por unanimidade, sem adversários, para o segundo biênio (2021–2022) — um feito raro, que por si só demonstra o nível de articulação e respeito construído entre diferentes campos políticos.

Apesar de filiado ao PT, Ceciliano sempre operou como um político de centro, com trânsito livre entre empresários, prefeitos, lideranças do interior, parlamentares conservadores e progressistas. Nunca foi um ideólogo. Sempre foi, acima de tudo, um construtor de consensos.

Em 2022, candidatou-se ao Senado Federal. Não venceu, é verdade, mas nos bastidores é consenso que foi prejudicado pela fragmentação do campo progressista, especialmente com a entrada de Molon na disputa, que dividiu votos e enfraqueceu a possibilidade de uma vitória unificada da esquerda. Ainda assim, saiu da eleição com capital político preservado.

Pouco depois, foi chamado para Brasília e assumiu a Secretaria de Assuntos Parlamentares do Governo Federal, subordinado diretamente à ministra Gleisi Hoffmann. Na prática, tornou-se um dos principais operadores políticos do Planalto, responsável por articular votações, construir maiorias e dialogar com o Congresso. É uma função de altíssima confiança — e ele a ocupa com protagonismo.

Paralelamente, ampliou sua influência no estado. Seu filho, André Ceciliano Júnior, foi eleito prefeito de Paracambi, consolidando um novo polo político no município e reforçando o peso eleitoral da família na Baixada Fluminense.

Hoje, nos corredores da Alerj e em conversas reservadas entre deputados, o nome de André Ceciliano voltou a circular com força. Há um movimento silencioso, mas consistente, de parlamentares que o veem como o nome ideal para liderar uma nova etapa política no Rio. Não por acaso.

Ele reúne três qualidades raras:

– capacidade de articulação real,

– ausência de rejeição radical,

– e trânsito em todos os campos políticos.

É exatamente por isso que, em rodas políticas mais sofisticadas, uma comparação tem sido feita — em tom quase simbólico:

Ceciliano é visto como o “Tancredo Neves do momento”.

A analogia não é gratuita. Assim como Tancredo, em 1985, surgiu como o nome capaz de unificar forças antagônicas após o esgotamento de lideranças mais polarizadas, Ceciliano aparece hoje como o político talhado para construir pontes em um cenário fragmentado, onde poucos conseguem dialogar com todos.

Tancredo foi o nome que emergiu quando Ulysses Guimarães deixou de ser viável. Ceciliano, guardadas as proporções históricas, surge quando o Rio carece de um nome que una, pacifique e reconstrua.

Não é um político de confronto. É de costura.

Não é de discurso inflamado. É de acordo.

Não é de trincheira. É de mesa de negociação.

E isso, no Rio de Janeiro de hoje, vale ouro.

Nos bastidores, fala-se — com cada vez mais naturalidade — que ele estaria “talhado” para uma eleição indireta, caso o cenário institucional venha a exigir esse tipo de solução. É o tipo de comentário que não surge à toa. Surge quando o nome é visto como seguro, agregador e viável.

André Ceciliano não faz barulho. Ele faz movimento.

Não grita. Articula.

Não divide. Soma.

E talvez por isso mesmo esteja, de novo, onde sempre esteve quando a política entra em crise: no centro da solução.

Se existe hoje no Rio um nome capaz de dialogar com o centro, com a esquerda, com empresários, com prefeitos, com o interior e com Brasília ao mesmo tempo, esse nome é André Ceciliano.

O “Tancredo Neves do momento” não surge por acaso.

Surge quando a política precisa, mais uma vez, de alguém que una em vez de dividir.