Após fim de inelegibilidade, Wilson Witzel lança pré-candidatura ao governo do Rio de Janeiro pelo Democratas

Durante o evento, Witzel adotou um tom de enfrentamento e resiliência ao comentar seu afastamento do Palácio Guanabara

Após fim de inelegibilidade, Wilson Witzel lança pré-candidatura ao governo do Rio de Janeiro pelo Democratas
Foto: Imagem gerada em IA para ilustrar a matéria / Mídia Informal

O ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, anunciou oficialmente o seu retorno ao cenário eleitoral fluminense. Em evento realizado na sede do Democratas, o ex-juiz federal de 58 anos lançou sua pré-candidatura ao governo do estado pela legenda. O anúncio ocorre logo após o cumprimento do período de cinco anos de inelegibilidade decorrente de seu processo de impeachment.

Durante o evento, Witzel adotou um tom de enfrentamento e resiliência ao comentar seu afastamento do Palácio Guanabara.

— "Eles me derrubaram, mas não me quebraram", afirmou o pré-candidato em discurso, completando que sua decisão não partiu de vaidade, mas sim do desejo de oferecer uma alternativa ao povo fluminense.

PRINCIPAIS PROPOSTA

Focado em retomar bandeiras de sua antiga gestão, Witzel destacou os seguintes pontos para o seu plano de governo:

● Segurança Pública: Adoção de uma política de tolerância zero contra o crime organizado, além de defender que criminosos portando fuzis sejam enquadrados na legislação como terroristas.

● Educação: Criação de 100 escolas cívico-militares no estado.

● Administração e Funcionalismo: Prometeu a valorização dos servidores públicos e a criação de uma inédita Secretaria Estadual de Capelania.

● Legado: Citou realizações passadas de seu mandato, como o leilão de concessão da Cedae e os acordos de gestão do estádio do Maracanã, como provas de sua capacidade administrativa.

O HISTÓRICO DO IMPEACHMENT

Ex-defensor público e ex-juiz federal, Wilson Witzel foi eleito governador do Rio de Janeiro em 2018. No entanto, acabou afastado temporariamente do cargo em agosto de 2020 por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em abril de 2021, um Tribunal Especial Misto — composto por deputados estaduais e desembargadores — decretou, por unanimidade, o seu impeachment definitivo por crimes de responsabilidade ligados a fraudes e desvios na saúde pública durante a pandemia da Covid-19. O caso se baseou em investigações da Operação Placebo, da Polícia Federal, fortalecidas pela delação premiada do ex-secretário estadual de Saúde, Edmar Santos. Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a condenação que resultou na perda do mandato e nos cinco anos de afastamento das urnas.

DEFESA E SITUAÇÃO JURÍDICA

Wilson Witzel sempre negou as acusações e sustenta sua inocência, alegando que o impeachment foi uma articulação do "sistema" para tentar calá-lo.

A fim de demonstrar viabilidade eleitoral, a equipe jurídica do ex-governador distribuiu aos presentes uma certidão emitida pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) atestando que não constam ações cíveis ou criminais contra ele sob a jurisdição daquela corte federal. Contudo, o documento ressalta que essa certidão não anula ou interfere nas decisões tomadas pela Justiça estadual ou pelo tribunal misto que determinou a cassação de seus direitos políticos no passado, cujos efeitos de restrição eleitoral ele ainda busca reverter nos tribunais.