Operação Escola de Papel mira ex-secretária de educação do governo de Cláudio Castro e aponta desvios de até R$ 1,6 bilhões em reformas no rio de janeiro

Operação Escola de Papel mira ex-secretária de educação do governo de Cláudio Castro e aponta desvios de até R$ 1,6 bilhões em reformas no rio de janeiro
Foto: Imagem gerada em IA para ilustrar a matéria / Mídia Informal

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram nesta quinta-feira (01/10) a Operação Escola de Papel, com o objetivo de desarticular um esquema de fraudes, direcionamento de licitações e lavagem de dinheiro em contratos de obras e serviços da Secretaria Estadual de Educação (Seeduc-RJ). As investigações apontam que o prejuízo aos cofres públicos pode alcançar R$ 1,6 bilhão.

Foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados na capital, em Duque de Caxias, Cabo Frio, Arraial do Cabo e Niterói, incluindo a residência da ex-secretária de Educação Roberta Barreto de Oliveira. Não há mandados de prisão expedidos. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 19 milhões em bens dos suspeitos.

Além da ex-titular da pasta, são alvos da operação o ex-subsecretário de Gestão Administrativa David de Andrade Marinho Filho, o capitão do Corpo de Bombeiros Yurie Lopes Fonseca Ormonde André (genro de Roberta), o policial militar Yan Lopes Fonseca Ormonde André (irmão de Yurie) e o empresário Fabio Martins Pereira, apontado como o operador financeiro do esquema.

O ESQUEMA E O "MODUS OPERANDI"

As apurações — iniciadas a partir de dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e de reportagens jornalísticas — revelam que o dinheiro público saía da Seeduc e era repassado por meio de Associações de Apoio às Escolas (AAEs) a empresas contratadas sem licitação ou com indícios de concorrência direcionada (cartel).

O epicentro das suspeitas recai sobre a MCK Reformas e Construções Ltda, empresa que funcionava em endereço residencial, sem funcionários registrados ou histórico compatível com grandes obras, mas que recebeu cerca de R$ 19,8 milhões em recursos públicos apenas em 2025.

Segundo o Ministério Público, dos R$ 6 milhões recebidos pela MCK em contratos para cerca de 15 escolas, apenas R$ 2 milhões teriam sido aplicados nas reformas. O restante era desviado por meio de saques em espécie e transferências para ocultar o rastro do dinheiro.

Um dos episódios emblemáticos ocorreu em 16 de janeiro, quando o dono da MCK foi flagrado por agentes sacando R$ 500 mil em dinheiro vivo em uma agência bancária de Duque de Caxias. O montante foi transportado em sacolas plásticas dentro de uma caminhonete blindada escoltada por um policial militar armado.

PATRIMÔNIO E CRIMES INVESTIGADOS

O levantamento patrimonial conduzido pelos investigadores encontrou indícios de que parte expressiva do dinheiro desviado foi convertida em imóveis de alto padrão — como uma casa avaliada em R$ 2 milhões em Camboinhas (Niterói) e um imóvel em Cabo Frio — além de veículos de luxo.

Os investigados responderão por crimes como corrupção ativa e passiva, peculato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, direcionamento de contratação pública e organização criminosa.

OUTRO LADO

Até o fechamento desta reportagem, as defesas dos citados ainda não haviam se manifestado sobre as acusações.

Em nota oficial, a Seeduc-RJ informou que já realiza uma revisão profunda nos contratos de manutenção e reparos para fortalecer os mecanismos de controle. Entre as medidas adotadas está a fixação de um limite de até R$ 130 mil para contratações diretas de pequenas manutenções pelas escolas, ficando obras de maior porte sob a responsabilidade da Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop-RJ). A secretaria reforçou que segue colaborando integralmente com os órgãos de controle e fiscalização.