A Justiça Federal no Rio de Janeiro aceitou, nesta quarta-feira (20), denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra 21 pessoas investigadas e algumas delas presas durante a operação "Furna da Onça", deflagrada em novembro do ano passado. Dentre os réus estão o ex-prefeito de Três Rios e atual deputado Federal, Vinícius Farah, e o ex-presidente do Detran RJ, Leonardo Jacob.

Na decisão desta quarta, o juiz federal Marcelo Bretas, titular da 7ª Vara Federal Criminal, ressaltou que no documento do MPF estão "minimamente delineadas a autoria e a materialidade dos crimes que, em tese, teriam sido cometidos pelos acusados".

No dia da operação, 22 mandados de prisão foram cumpridos, dez deles contra deputados estaduais. O processo em relação a cinco desses parlamentares que foram reeleitos no último pleito foi desmembrado e deverá ser analisado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2).

Assim, a decisão desta quarta não se refere a cinco políticos que atualmente têm mandato na Assembleia Legislativa do Rio e, portanto, têm foro privilegiado: André Correa da Silva, Francisco Manoel de Carvalho (Chiquinho da Mangueira), Luiz Antônio Martins, Marcos Abrahão e Marcus Vinícius de Vasconcelos Ferreira.

A 7ª Vara Federal Criminal ainda irá se manifestar sobre os outros cinco ex-parlamentares que não foram reeleitos ou não concorreram ao pleito de 2018. São eles: Jorge Picciani, Edson Albertassi, Paulo Melo, Jairo Souza Santos (Coronel Jairo) e Marcelo Nascif Simão.


Quem são os réus

- Affonso Monnerat - ex-secretário estadual de Governo

- Alcione Chaffin Andrade Fabri - chefe de gabinete do deputado Marcos Abrahão

- Álvaro Novis - doleiro

- Andrea Cardoso do Nascimento - chefe de gabinete do ex-deputado Paulo Melo

- Carla Adriana Pereira - ex-diretora de registros do Detran

- Carlos Miranda - delator e ex-operador do ex-governador Sérgio Cabral

- Daniel Barbiratto - vereador e enteado do deputado Luiz Martins

- Fabio Cardoso do Nascimento - assessor do ex-deputado Paulo Melo

- Jennifer de Souza da Silva - funcionária do Grupo Facility/Prol

- Jorge Luis de Oliveira Fernandes - assessor do ex-deputado Coronel Jairo

- Jorge Luiz Ribeiro - operador do ex-deputado Jorge Picciani

- José Antonio Wermelinger Machado - chefe de gabinete do deputado André Correa

- Leonardo Mendonça de Andrade - assessor do deputado Marcos Abrahão

- Leonardo Jacob - ex-presidente do Detran

- Magno Cezar Motta - assessor do ex-deputado Paulo Melo

- Marcos Von Seehausen - chefe de gabinete do deputado Marcus Vinicius Neskau

- Sérgio de Castro Oliveira, o Serjão - operador financeiro de Sérgio Cabral

- Sérgio Cabral - ex-governador do RJ

- Shirlei Aparecida Martins Silva - assessora do ex-deputado Edson Albertassi

- Wilson Carlos - ex-secretário estadual de Governo

- Vinícius Farah - ex-presidente do Detran

A operação

Em novembro do ano passado, agentes da Polícia Federal foram às ruas e cumpriram 22 mandados de prisão contra parlamentares e membros do poder executivo, além de assessores e auxiliares no poder legislativo.

Com relação aos deputados presos durante a operação, as investigações apontaram que os envolvidos recebiam propinas mensais que variavam de R$ 20 mil a R$ 100 mil, além de cargos, para votar de acordo com o interesse do governo.

O esquema teria movimentado pelo menos R$ 54 milhões, segundo a PF.