Pela segunda vez, ex- secretário de Defesa Civil disse que população foi avisada sobre a enchente em 2016, mas por “descrença”, preferiu permanecer em casa.
Em reunião realizada nesta terça-feira (21/03) na 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva Núcleo de Três Rios, com objetivo de apurar responsabilidade de Furnas em enchente causada pelo transbordamento do Rio Paraíba do Sul, no distrito de Anta, em janeiro de 2016,  com a presença de representantes de Furnas, do vice – prefeito e secretário de meio ambiente de Sapucaia, Chiquinho (PMDB), dos vereadores Sérgio Jardim (PTB), Marcella Raposo (PP), Regina Alípio (PSB), do Presidente da Câmara de Sapucaia, Warner Pereira Gomes (PMDB) e do diretor de infraestrutura da prefeitura de Sapucaia, Marco Antônio Teixeira Francisco, a Promotora de Justiça, Dra. Clarisse Maia Nobrega, asseverou que Furnas vem repassando informações à Defesa Civil em caso de aumento de vazão do Rio Paraíba do Sul, e que a responsabilidade pela instalação do sistema de alarme é da prefeitura.
 
Segundo a Dra. Clarisse, independentemente do empreendimento instalado em Anta por Furnas, o município é que deve arcar com os custos de instalação de um sistema de alarme no caso do transbordamento do Rio Paraíba do Sul no distrito.
 
Ainda de acordo com a promotora, no Termo de Ajustamento de Conduta –TAC, assinado  pela empresa Furnas e a prefeitura de Sapucaia,  não há nenhuma cláusula que obrigue a empresa a instalar sistema de alerta, restando claro que não há descumprimento do referido TAC por parte da mesma.
 
Em declaração dada ao MP durante a reunião, pela segunda vez, o atual diretor de infraestrutura da prefeitura de Sapucaia, Sr. Marco Antônio Teixeira Francisco (Secretário de Defesa Civil à época), afirmou categoricamente que na ocasião da enchente de 2016, a população foi devidamente avisada da possibilidade da enchente, porém por “descrença” de que a cheia do rio Paraíba do sul poderia assolar de forma gravosa o distrito, a população preferiu permanecer em suas residências.
 
Para os vereadores presentes e também na opinião do vice-prefeito de Sapucaia, o caso ainda terá desdobramentos, mesmo sem o apoio inicial do MP no sentido de exigir de Furnas o custeio e implantação de um sistema de alerta para estes casos.
 
Entenda:
Na terça-feira (08/03/2016) a Câmara de Sapucaia promoveu audiência pública para buscar soluções em relação o aumento da vazão do Rio Paraíba do Sul, e averiguar se a empresa Furnas teria sido a responsável pela comunicação da população devido ao abrupto alagamento ocorrido em Anta no mês de janeiro daquele ano.
Durante o encontro que durou mais de três horas, representantes de Furnas, Prefeitura, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros foram sabatinados por vereadores e também populares que lotaram o salão paroquial da Igreja de Sant’ana, em Anta.
Na ocasião, Marcelo Carvalho, gerente da divisão de programação de hidrometrologia de Furnas, responsável por todas as usinas da estatal, disse que o reservatório em Anta não pode provocar cheias e também não tem o poder de “segurá-las”. Afirmando ainda que o reservatório consegue retardar as cheias somente por uma hora.
 (…) “A água que chega ao reservatório de Anta é a água que sai do reservatório de Anta. É fio d’água. Chegou, saiu. (…) O reservatório não provoca cheias e não tem poder de segurar cheias. O poder d’ele segurar cheias é muito pequeno. Ele retarda muito pouco, no máximo uma hora.” – disse Marcelo.
Marcelo disse ainda que a empresa avisou a população sobre a elevação da vazão do Rio Paraíba do Sul, afirmação esta rechaçada pelo vereador e também pela população presente.
Mesmo discurso foi feito pelo Sr.Marco Antonio Teixeira Francisco, Engenheiro civil e responsável pela Defesa Civil municipal à época,  que afirmou ter avisado a população sobre o aumento da vazão do Rio Paraíba do Sul, porém muitos não quiseram dar ouvidos ao aviso realizado pela prefeitura.
Em 2016 moradores do bairro Vasquinho indignados com a afirmação do responsável da defesa civil municipal gritaram palavras de ordem e afirmaram categoricamente que a população não foi avisada.
(…) Pera aí! Eu moro a trinta e cinco anos na mesma casa na rua do vereador Sergio Jardim e na casa da minha mãe nunca entrou água, e dessa vez entraram oitenta centímetros de água violentamente. Sendo que ela tem oitenta e seis anos, é portadora de marca passo, cheia de problemas de saúde. Se eu não estivesse em casa seria uma fatalidade para ela. É isso que agente quer saber. Por que ninguém me avisou? Na minha casa ninguém me avisou. Não teve sinal sonoro gente! – Disse indignada uma moradora do Vasquinho.
Diante do ocorrido, a Câmara de Sapucaia sugeriu ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que fosse instaurado Inquérito Civil Público para apurar responsabilidade de Furnas em enchente causada pelo transbordamento do Rio Paraíba do Sul no distrito de Anta, que culminou com a realização da audiência desta terça (21/03).