Na véspera, a moeda dos EUA fechou a R$ 3,0565, menor nível desde 21 de maio de 2015.

O dólar fechou em alta de quase 2% ante o real neste último pregão de fevereiro, voltando à casa de R$ 3,11, com investidores procurando proteção diante da folga prolongada do Carnaval em meio ao cenário político local mais sensível.
A moeda norte-americana terminou o dia cotada a R$ 3,1133 na venda (alta de 1,86%), o maior avanço desde 1º de dezembro passado (2,4%). Veja a cotação.
Na mínima da sessão, o dólar marcou R$ 3,0670 e, na máxima, R$ 3,1194.
No mês, o dólar acumula queda de 1,19% e, na semana, alta de 0,66%. De acordo com a Reuters, foi o terceiro mês consecutivo de perdas, que acumularam 8,09%.
Na véspera, a moeda norte-americana havia recuado ao nível de R$ 3,05 pela primeira vez em quase dois anos - foi o menor nível desde 21 de maio de 2015.
"É normal o mercado se proteger em feriados longos, isso não significa mudança na trajetória de baixa (do dólar), comentou o profissional da mesa de câmbio de uma corretora nacional à Reuters.
Com as festas do carnaval, os mercados financeiros locais voltam a funcionar apenas na quarta-feira, o que levou os investidores a assumirem posições mais defensivas, antecipando-se a eventuais noticiários que possam sair no feriado e gerar turbulências.
Na véspera, foi noticiado que José Yunes, ex-assessor especial da Presidência e amigo do presidente Michel Temer, disse ter recebido um pacote em seu escritório a pedido do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e em seguida o teria entregado ao doleiro Lúcio Funaro, preso no âmbito da Lava Jato.
O temor entre os investidores é de que esse quadro político, caso evolua, possa atrapalhar a votação de importantes projetos do governo no Congresso Nacional, como a reforma da Previdência.
Além disso, também afetou o humor dos mercados o fato de a escolha de Osmar Serraglio (PMDB-PR) para o Ministério da Justiça ter gerado fortes reações na bancada do PMDB na Câmara dos Deputados.
"A escolha de Serraglio se destaca por ter criado divergências dentro do PMDB, podendo dificultar o caminho para aprovação de reformas no lugar de facilitar", comentou a corretora Advanced em relatório.
No exterior, o dólar operava praticamente estável ante uma cesta de moedas, com os investidores duvidando da probabilidade de reforma fiscal rápida e rápido impulso nos gastos da administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
De acordo com a Reuters, para março, a perspectiva do mercado era de que o dólar mantenha sua trajetória de queda frente a real e, com a virada do mês, mais uma vez voltava a especulação sobre qual será a atuação do Banco Central para rolar os swaps tradicionais--equivalente à venda futura de dólares-- que vencem em abril, ou 9,711 bilhões de dólares.
"O Banco Central tem sinalizado que está confortável com o nível atual da moeda (dólar), o que significa que essa especulação não deve interferir nos preços, pelo menos não tão já", comentou um operador de câmbio de uma corretora local.
Para os contratos de swaps que vencem em março, o BC acabou rolando apenas uma pequena parte.